LABORATÓRIO : “O HOMEM LOBO DO HOMEM”



Hoje é dia das crianças e fica a pergunta: O que difere os homens dos meninos? Uma criança não consegue conter seus impulsos e energias enquanto nós adultos temos o autocontrole como característica peculiar. Entretanto  sempre nos comportamos como meninos  em vários aspectos da vida. Separei um  :  O da ilusão infantil que o pecado nos acomete. Observe :

Meu coração se enche de um poder que incita ,urge , clama. Minha testa franzi, minhas pupilas dilatam. Quero dar a mim mesmo o que eu não quero. Mas se quero,o que fazer? Fazer não muito, visto que o muito torna-se tão pequeno diante da grandeza do desejo manifesto pela vontade de não realizar o que se quer . Eu quero não querer . Eu podia não poder . E o pior é que posso , quero  e tenho . Quem há de lutar contra essas três forças : poder , querer e ter ? Esse é o relato de uma criação , de uma gênese . Esse é o relato do nascimento de um pecado.  A forma como ele é concebido no coração humano é explícito nas comunicações dos neurônios que desembocam na decisão de levantar-se e ir em direção a opção escolhida.  Nós seres humanos  somos assim. Movidos pelas sensações  anteriores as ações sejam elas quais forem . Do psiquiatra ao serial killer.  Todos somos tomados da ilusão da possibilidade de  inclusão no jardim da satisfação.  Existe quem não consiga nem perceber essa ciranda ou aquele que sabe e muda seu código para uma definição de acordo com uma conveniência. Também existe  quem dance essa ciranda em pleno sol ao meio dia. Eu conheci várias faces dessas escolhas. Vi muita coisa se manifestar das mais variadas formas nos outros e em mim. 

Vamos viajar. Lembra quando você decidiu não ceder? Lembra quando você se sentia um forte em meio a tantos fracos ao seu redor? O problema é que o tempo passou e você descobriu que é tão fraco quanto os que você lamentava os braços atrofiados.  Você  está agora encurralado pela certeza da incapacidade e pela barbárie do  homem interior.  Você  assim como eu,  sente que não há a esperança no homem interior . Sim, eu ,  você e o apóstolo Paulo. Mas passo a explicar.

Primeiro a alavanca da motivação é a embriaguez  da ilusão. Geralmente não temos a real percepção do jogo mental do pecado. Ele geralmente inicia seu disfarce na ilusão da satisfação. Eu imagino que minha satisfação vai ser aplacada, vai ser enfim vingada e assim corro desesperadamente e beijo a possibilidade do sucesso absoluto.  A equação possui apenas uma variável interpolada : O propósito da minha existência  e a possibilidade da opulência do ser . Mas claro , antes eu olho ao meu redor , meço as  distâncias  e sorrio para o meu conhecido que jamais poderia imaginar do que eu sou capaz. Claro, sigo minha trajetória de flerte com a ilusão sob o cheiro forte do tempero da satisfação ao meio dia .

A possibilidade está alimentada, a ilusão agora é visão  mas infelizmente tenho que retornar ao normal,  encontrar outras pessoas e o que faço ? Danço o ritmo deles , as saudações e a ilusão de que sou normal assim como eles fazem parecer aos olhos do mundo : A normalidade e o testemunho.  A sensatez, o altruísmo , a razão e a lógica . Meu copo de vinho caiu e quebrou mas depois eu pego outro. Agora  eu sou tão normal quanto a normalidade que todos imaginam  que vivem. Nisto  há quem veja , há quem saiba e alguns outros como eu que   discernem essa  ciranda e cantam  até chegar o cálice da ilusão sob o cheiro forte da melhor uva. 

Outro passo é sair da normalidade e  voltar ao meu encanto . A  liberdade e  os direitos.  Ah meus direitos ! Cristo após 40 dias de fome ouve :  “Transforma essas pedras em pães”. Você sente fome , você precisa comer , suas entranhas se consomem , você tem o direito de comer ! Esses direitos  incendeiam minha alma pelo pão , pela morte da fome , pelo poder de estar de pé , pelo senhorio de mim mesmo.  Pela independência de não precisar estender a mão e dizer : Dá-me pão ! Eu quero o pão  e eu o buscarei ou tomarei a força , ou matarei por ele . Matarei minhas ideias e meus ideais,  mas o pão agora é meu ! Minha fome já passou , mas o pão é meu e  mato quem se aproximar . Saia daqui ou o matarei .  Não se aproxime de minhas possessões ! É meu ...é meu .

 Um momento , é meu mesmo ? E onde está  a sensatez ? Ah sim,  eu sou uma pessoa sóbria e equilibrada , quase por um momento ia esquecendo . Se não fosse a reunião de grupo e os encontros com os amigos para dar a noção de valores comuns eu já ia esquecendo . Um momento, alguém se aproxima :

---- Olá tudo bem ?

---- E ai rapaz como foi a semana ?

----- Bem e você ?

----- Muito trabalho  e você ?

------  Também , aproveitei pra visitar  Pedro  ele não está bem , separou da esposa , voltou a  beber e  esta envolvido com sujeira no trabalho , desviando verba , etc .

-----  Gente o cara mudou demais ? o que houve ?

----- Não sei cara , não sei .....o cara ta perdido...

O que assombra nisso tudo ?  É a forma desumana como tratamos uns aos outros e enquanto isso, todos absolutamente todos,  em nossos porões,  sejam os porões do pecado,  seja os porões da santificação . Todos sob o lamento da incoerência. O santo pela  incoerência de estar ainda lutando  , seja o moribundo por não encontrar Deus em seu tato no escuro , em seu travesseiro a noite e em seu dia sem sentido. Todos juntando seu cacos e tentando entender alguma coisa ao fim do dia.

Hoje   filhos , pais , mães , esposas , amigos  estão  buscando desesperadamente   a satisfação própria  e questionando  os desejos alheios. Conheço quem ore a Deus pela manutenção do próprio pecado e inclusive me pede até para orar  em prol da  prosperidade do erro.   Conheço gente que  não questiona a realidade de santificação que vive , apartando-se do mal e das pessoas. Conheço gente que diz que se questiona , mas que na prática está longe disso...  
Fato é que a religião reprime o monstro e somente quer se relacionar com  o médico. O Livro O Médico e  o Monstro , publicado em 1886 pelo escocês Robert Louis Stevenson  que virou filme e várias peças teatrais pelo mundo , é uma história que continua viva ainda hoje por retratar a transformação de um homem pacato em  um alter ego , um monstro terrível chamado Edward Hyde , afirmando que todo ser humano “contém tanto o bem quanto o mal e que esse ultimo pode facilmente aflorar como um impulso incontrolável”. A religião quer apenas conversar com o médico e esquece que existe o monstro apesar de tanto falar sobre ele na doutrina da depravação total, por exemplo . Fala-se para o médico ser correto e terá um sim. Ninguém  fala pro monstro  ser correto porque  levará um tapa na cara  . Tapa este,  que geralmente se manifesta pelas surpresas dos “maus testemunhos” de membros , lideres estratégicos e o próprio clero.  Sabemos que existe o monstro,  mas não queremos conversar com ele . Por que ? Por que primeiramente para ter acesso a um diálogo com o monstro do nosso próximo, temos que conversar com nosso próprio monstro e ainda há aqueles que nem sabem que tem um  e que só se acham santos e irrepreensíveis . Admitem  mentir de vez em quando, mas monstro  nunca. O problema é sistêmico.  Não se pode conversar com os monstros por que todos escondem seu vidrinho de poção para se transformar em Edward Hyde. Porque quando estoura um escândalo de ordem moral na igreja todos querem que o mau testemunho seja ligeiramente incinerado, não obstante  o monstro continue lá se alimentando da esperança de muitos.  Eu tenho, porque converso com meu monstro. Todos os dias. Recomendo que você faça o mesmo. Você pode até ser médico , mas suas poções estão te esperando no recôndito do teu coração. Qual a solução ? Lamento mas esta poção imediata  eu não tenho. Mas no auge do meu pessimismo  e “mal do século” sob um texto bem estilo gótico e úmido,  digo  que resta a curto prazo  autoanálise profunda ,  imediata e constante. No entanto,  esta alternativa  não é popular devido a dor que  causa a si mesmo.  É preferível enganar a si mesmo e aos outros com a dança das mascaras na comunidade o qual faz parte. E Deus ? “Prefiro não comentar , nem pensar nisso agora...”

Mas...
Deixa eu te dizer algo . Por que não rasgar essas cortinas ? Por que não gritar por socorro como o salmista :  “ Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo? Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte;Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar. Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.”
Salmos 13:1-6
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.
Salmos 42:11
CONTINUA ...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sou Cristão e Adoro Lula . #Prontofalei .

Repensando Liderança Cristã: Presbíteros e Diáconos Contemporâneos

Ninguém está errado hoje nem estará daqui a 120 anos.