Repensando Liderança Cristã: Presbíteros e Diáconos Contemporâneos


Muito bem! iniciado o ano de 2011, nós cristãos como sempre , estamos diante de vários desafios. De Projetos de Lei que tramitam no Congresso ao problema do crescimento saudável das igrejas locais no Brasil . Várias denominações históricas têm repensado seu modelo de crescimento e parece que existe um sentimento de tornar as igrejas mais sustentáveis repensando seu discurso e sua relevância na comunidade onde estão inseridas. Quando afirmo sustentáveis, não é o termo financeiro nem administrativo, mas funcional. Há um desejo de muitos pastores que suas igrejas locais sejam inflamadas pela missão e pelo sentido do Evangelho no dia a dia da comunidade, visando alvos e objetivos a serem buscados de maneira concreta a curto, médio e longo prazo e assim possuírem a convicção de que a missão da igreja não é apenas de realizar cultos, mas ir muito mais, além disso.
Pensando nisso, o lastro dessa grande mudança em nossas igrejas locais é sempre sua Liderança. Se a liderança não entender que deve buscar objetivo e não souber transvisionar para a igreja, eis o problema. Haverá muito desentendimento e até contenda entre Pastores e Conselhos, não existindo assim objetivos comuns. Mas analisando a liderança e o atual contexto da mesma, fico a pensar que as peças mais importantes desse tabuleiro são os Presbíteros e os Diáconos. Bem sabemos que o sucesso de um empreendimento no Reino de Deus não está na capacidade dos homens, mas em Deus que capacita a todos. Entretanto aos oficiais ordenados pesa a responsabilidade de conduzir e cuidar do povo de Deus. Penso que muito dos nossos problemas de crescimento em qualidade seja devido à incoerência existente entre os nossos atuais oficias e o que Bíblia fala a respeito deles. Estou aqui com o coração sensível a entender, pois sou presbítero e não é desejo meu culpar pessoas, pois assim seria eu um dos principais culpados, mas levar-nos a uma reflexão.
Existem muitos Conselhos onde Presbíteros fazem papel de Diáconos por que os que ali estão não desenvolvem seu papel, que é segundo o historiador judeu Flávio Josefo: a) Servir à mesa; b) Servir no sentido de obedecer; c) Prestar serviços sacerdotais. Estes irmãos não entendem o quão sublime é tal cargo pois: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (MT 20.28). Entendem que o ofício de diácono é para ficar à porta do prédio , ao quais muitos até chamam de templo, impedindo bêbados e cachorros de adentrarem a igreja. O Diaconato teve sua origem exatamente para suprir uma necessidade, onde os apóstolos deveriam se dedicar a oração e a pregação para edificação e consolo das ovelhas , ao passo que os diáconos “representam o próprio CRISTO em seu exercício de misericórdia”, consolando aflitos e necessitados. Observamos em muitos diaconatos atuais a inoperância, pois a grande raiz dessa deficiência está na escolha desses irmãos, embora a bíblia deixe bem claras as exigências para se exercer tal oficio: TER BOA REPUTAÇÃO (AT 6.3), SER CHEIO DO ESPÍRITO SANTO (AT 6.3), SER CHEIO DE SABEDORIA (AT 6.3), SER RESPEITÁVEL (1TM 3.8), TER UMA SÓ PALAVRA (1TM 3.8), NÃO INCLINADO A MUITO VINHO (1TM 3.8), CONSERVAR O MISTÉRIO DA FÉ COM A CONSCIÊNCIA LIMPA (1TM 3.9), SEJAM PRIMEIRAMENTE EXPERIMENTADOS (1TM 3.10), SEJA MARIDO DE UMA SÓ MULHER (1TM 3.12), QUE GOVERNE BEM SEUS FILHOS E SUA PRÓPRIA CASA: (1TM3. 12/3.4-5). Claro que não irei comentar cada requisito acima, pois não é meu alvo no momento. Porém o que parece é um empurrão por parte de algumas pessoas na igreja local para que alguns irmãos aceitem tal investidura sem possuírem o perfil e o pior, casos bizarros de diáconos bêbados e até endemoniados em igrejas Brasil à dentro. Tudo isso para suprir uma necessidade não bíblica mas sim estatística, na formação de uma nova igreja. Particularmente fui alvo dessa incoerência quando fui indicado ao diaconato mesmo não possuindo o perfil , mas aceitei por que a congregação precisava de diáconos. No final das contas, por não ter o perfil, creio que sofri e a igreja local também. Hoje, vemos oficiais sem saberem o que fazer contrários às exigências bíblicas, não ensináveis e o pior: Situados no lugar onde não devem estar. Cabe a liderança Local investir em capacitação para que o Corpo funcione sem hemodiálises funcionais.
Por outro lado, vejo minha classe, os presbíteros e falo sensível a grande dificuldade que temos em ser aquilo que a palavra determina, pois assim como os diáconos, existem requisitos positivos e negativos e estes são: Não arrogante Tt 1.7; Não dado ao vinho; Não violento 1tm 3.3; Não irascível Tt 1.7; Inimigo de contendas 1tm 3.3; Não avarento Hb 13.5; Não ser neófito: *1tm 3.6;) Não cobiçoso de torpe ganância POSITIVOS: Irrepreensível como despenseiro de Deus Tt 1.6,7; Esposo de uma só mulher: 1tm 3.2. Temperante, Sóbrio, Modesto, Hospitaleiro; Apto para ensinar, Cordato 1tm 3.3. ; 1tm 3.3. Governe bem a sua própria casa Criando seus filhos com disciplina e respeito: 1tm 3.4. ; Bom testemunho dos de fora; Amigo do Bem *Tt 1.8; Justo Tt 1.8; Piedosott 1.8 Domínio próprio Tt 1.8; Apegado à Palavra Tt 1.9; Apto para exortar e convencer: Tt 1.9.
Diante também de tantos requisitos fico com as palavras de Samuel Miller teólogo: “Quando Paulo alista as qualificações dos presbíteros, é importante o fato de ele ajuntar requisitos concernentes a traços do caráter e atitudes íntimas com requisitos que não podem ser preenchidos em curto espaço de tempo, senão em um período de muitos anos de vida cristã fiel.” Ou seja, existem qualificações que serão aprimoradas ao longo da vida cristã, mas existem outras qualificações que devem estar presentes no momento da sua indicação pelo Conselho e pela Igreja. As que grifei acima são , para mim, as que devem estar latentes , pois não são raros os casos de presbíteros sem a mínima qualificação e o pior, com desvios de caráter : “Obstinado em sua própria opinião, teimoso, arrogante, pretensioso, irredutível nas suas verdades em detrimento dos direitos, sentimentos e necessidades dos outros. É lamentável constatar historicamente que os cismas promovidos dentro das igrejas, quer pela parte que supostamente permanece fiel, quer pela parte que sai, julgando-se fiel , são em geral, iniciados pelos líderes locais. Muitas vezes isso ocorre pela presunção de entender que a sua percepção é de todo suficiente.” [1]

Mas afinal quem é o responsável por essa realidade ? A quem devemos, não culpar , mas levar à reflexão por isso ?

Os Pastores – Embora seja o responsável principal pelo rebanho e pela condução do Corpo de Cristo , existe um enorme número de pastores que são precipitados ao escolher candidatos ao presbiterato. Eles estão mais interessados em formar a igreja , sair do status de congregação e levar seu relatório para o presbitério , assim confirmando que seu trabalho naquela igreja foi frutífero , pois assim parece que conseguiu mudar a realidade daquela comunidade elegendo líderes vigorosos para cuidarem das ovelhas junto com ele. Estes pastores via de regra são conduzidos por um sentimento pernicioso de interesse não pelo crescimento de qualidade , mas de estatística. E o pior, quase ninguém vê isso. Quem fala e critica no presbitério essa postura, é taxado como aquele que não deseja o crescimento da Igreja. Estes fabricantes de líderes fazem a igreja sofrer com essa liderança mal formada e até seu ministério é a cara desses que ele mesmo escolhe para estar ao seu lado no Conselho da Igreja. Muitos são os casos de pastores que recebem de braços abertos presbíteros disciplinados de outras igrejas, tornando-se cidade de refúgio para aqueles que sofreram na igreja por onde foram injustiçados com a disciplina. Tudo pela conveniência ministerial sem um mínimo de prudência ou análise. É triste essa realidade : Um relatório recheado para o presbitério com números . Apenas isso.

Da Igreja - Por mais que o pastor indique , grite e faça pressão em torno de candidatos incapazes para o cargo, quem referenda é a igreja visível . Alguns membros acham que se o candidato não adultera ou não roubou dinheiro da igreja, logo é apto para a investidura. A maioria dos membros tem a seguinte idéia: “Eu não sendo eleito , por mim pode ser qualquer um”. Depois se queixam de seus líderes que não estão engajados, não ensinam , não visitam , etc. Entretanto, foi ele quem votou nesses candidatos que ele mesmo desaprova. Eis a revelação da questão: Hipocrisia. A igreja deve estar atenta aos requisitos básicos para tal escolha. Ter senso crítico é condenável na igreja e as pessoas não se manifestam por que acham que estão sendo causadoras de contenda e deixam as coisas como estão. O bispo é de vital importância à vida da igreja. O Apóstolo Paulo nos exorta a lutarmos pela fé Evangélica, mesmo que sejamos opositores da maioria. Nem sempre a maioria tem razão e devemos levar as pessoas à reflexão quanto a tudo. A igreja invisível escolhe bem seus presbíteros, pois esta só referenda o que Deus escolheu e designou. Mas a igreja visível é outra coisa.

Dos Presbíteros e Conselhos- Hoje há um déficit de liderança proporcional aos desafios. Alguns presbíteros aceitam as decisões dos pastores sem ponderar e com receio de discordar, acatam sugestões errôneas. A igreja não se qualifica em sua missão por causa da Liderança. Particularmente, vejo nas reuniões do meu presbitério igrejas que sofrem por causa de presbíteros que não entendem seu ministério e estão alheios a questões importantes da igreja. O que decidirem está decidido. Estes presbíteros, via de regra, estão envolvidos com seus trabalhos ou estudos , não encontram tempo para se dedicarem à sua função e estão sempre à “disposição”. Igrejas que dependem do presbitério por que não têm liderança local, conseqüentemente a ponto de clamarem por dinheiro para buscar obreiros que não entendem o contexto local, fazendo apenas o trabalho de manutenção sem entender a cultura local. Se não podemos estar presentes em quantidade de tempo , estejamos em qualidade de tempo. Façamos pouco , mas com qualidade.
O que fazer ? Creio que solução a curto prazo seria capacitar os oficiais existentes. A médio e longo prazo conscientizar a Igreja local desses cargos e acima de tudo exaltar o Ofício, assim como o apóstolo Paulo faz do bispo. Via de regra, vejo um pessimismo para com esses cargos, como se fossem um peso; um fardo. Digno de honra seja o diaconato e o presbiterato e o caminho é dizer aos candidatos: “vocês serão dignos de honra por serem despenseiros de Deus, mas tal escolha acarreta responsabilidades”. Que Deus nos ensine o caminho da Sua Missão, Visão e Sentido em nossas vidas.

NOTAS
[1] Presbíteros e Diáconos: Servos de Deus no Corpo de Cristo . Rev. Hermisten Maia

Comentários

Golfinho disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Golfinho disse…
Concordo plenamente com o artigo de Gonzaga. Palavras duras, mas não sem um estudo minucioso do que se está dizendo somado a uma tragetória de vida em Cristo da qual pude compartilhar em um momento da vida. Eu mesmo, quando eleito diácono da igreja,, na época me sentir honrado com o título e no meu íntimo sei o quanto queria servir na obra de Deus, hoje ,passado anos e desviado do caminho de Cristo, vejo que fui um número necessário naquela ocasião. Mas Deus tenha misericordia de tantos pastores e membros que desviam seu olhar dos requisitos bíblicos, que como colocou Gonzaga, deve o oficial tê-lo quando da sua ordenação ou adquiri-lo comforme o tempo e o amadurecimento lhe for impetrado. Brilahnte artigo e que Deus continue inspirando-o
Renato disse…
Luis Gonzaga,

As colocações são bastante pertinentes. Parabéns! Gostaria humildemente de contribuir com algumas colocações sobre o diaconato, pois sobre ele penso ter mais propriedade para falar e tenho especial carinho por este ofício, não menos sublime que o presbiterato. Observo que problemas relacionados a presbíteros e diáconos se aplicam, na maioria das vezes, a características locais das igrejas, dos estados, das cidades, dos bairros, ou a contextos sociais característicos. Isso não quer dizer que não tenhamos problemas gerais, que se apliquem a âmbito nacional, ou a situações comuns. Quando me tornei presbítero já gozava alguns anos de experiência como diácono e me propus a não mudar a característica de ser servo, embora soubesse que minhas funções não seriam mais as mesmas. Vou explicar melhor. Muitos problemas decorrentes das escolhas de presbíteros ou diáconos decorrem da visão que a igreja possa ter a respeito desses ofícios. Quando presidente da Junta Diaconal, estudávamos juntos o significado do estar diácono. Para nós era uma máxima afirmar que o maior diácono que já viveu no mundo foi o próprio Jesus Cristo. Na verdade e a rigor da palavra diaconia (serviço), dizíamos: todos os irmãos devem também agir como diáconos, embora não como oficiais. Procurávamos com isso desvendar mitos e verdades a respeito da diaconia e chegamos a algumas conclusões. Primeiro, não é função do diácono ficar simplesmente como sentinelas às portas das igrejas, em horários de cultos ou para entregar boletins apenas. Também não é função do diácono o carregar cadeiras, arrastar móveis ou levar recados de um lado para outro. Não! Essas são funções que podem ser facilmente desenvolvidas por qualquer irmão dentro da igreja, não é um requisito ao cargo de diácono o saber realizar essas atividades, por ser mais diligente ou não. Observo que se qualquer diácono falta ou chega atrasado, qualquer irmão facilmente o pode substituir nessas atividades braçais. Muito mais que isso, o oficial diácono torna-se um filtro espiritual ao ficar à porta do templo. Ele está ali para receber os amados irmãos da igreja como autoridade escolhida pelo Senhor, saudando-os com palavras de bênçãos, quebrando o clima existente de correria, ansiedade, tristeza, temor do mundo exterior, preparando os irmãos para adentrarem ao templo da adoração, ao local de reverência e congregação dos santos. O diácono da igreja deve ter essa consciência. Por isso é função do diácono o cuidar da ordem do culto, providenciando para isso elementos da organização do templo ou da santa ceia ou batismo, quando o caso. Segundo, o diácono deve cuidar da ação social, procurando conhecer o rebanho, desenvolvendo sensibilidade para perceber necessidades materiais e espirituais dos irmãos, passando ao conselho quando não puder resolvê-las, realizando, se necessário, visitas, em nome da junta diaconal. É uma função eminentemente espiritual e é assim que deve ser vista pela igreja de Cristo, antes de qualquer critério de escolha que se possa ter em mente. Sobre o presbiterato, Gonzaga, suas colocações também são bastante pertinentes e fazem parte dos desafios das igrejas. Gostaria de deixar um versículo para refletirmos: "...O maior dentre vós será vosso servo" (Mateus 23:11). Deus continue o abençoando nos seus estudos. Um forte abraço,

Presb. Renato

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