Por que você nao faz isso ? Não faço por que ninguem faz....

Olá pessoal. Desta vez com certeza as mães vão ler até o final,
alguns pais vão fazer bico e não concordar e os solteiros não vão continuar a
leitura por achar chata. De fato o que vou dizer aqui é chato pra solteiro. Eu
mesmo se fosse, não leria porque como afirmei antes, nestes tempos de
velocidade e variedade de informação só atentamos para assuntos do nosso interesse.
Está certo, eu concordo. Se você fechar
o navegador por achar chato feche mesmo.
Odeio ler ou assistir algo sem propósito. Deus me livre.
Muito bem, veja as afirmações abaixo contra o movimento que tem crescido no Brasil, que é a chamada opção por Cama Compartilhada. Repare:
1- A
criança pode morrer por asfixia. É
inseguro.
2- A
criança vai ficar dependente dos pais (Afirmação e não possibilidade)
3- As
crianças não terão limites no futuro.
4- Os pais
não terão privacidade- Relações sexuais zero
5- A
criança se torna invariavelmente dependente da mãe
6- O pai é
desalojado do seu lugar e do relacionamento
7- É um
CTI (Corta Tesão Imediatamente) para o casal
8- Ensinar desde bebê o que é certo: cada um no seu lugar
9- Não
incentivar maus hábitos
Bem, agora imagino que só ficaram nesta
leitura a mães, os pais e alguns que querem ter um filho. O solteiros devem ter
fechado o navegador.Tudo bem, alguns solteiros devem estar lendo. ... Agora
vamos ao que de fato interessa. Muitas vezes os pais se sentem como fantoches
na mão de pediatras, psicólogos, psicopedagogos e coordenadores de escola
infantil. Simplesmente porque todo pacote teórico e científico baseado em algumas
estatísticas viram lei na hora de educar e conduzir nossos filhos. A bíblia
traz recomendações resumidas de como criar os filhos e o resto fica no
arcabouço da influência de profissionais e estatísticas que nem sempre
correspondem à realidade de cada família.
Numa coisa todos concordam que não há uma receita ou método de criar os
filhos, mas que cada caso é um caso de acordo com o ambiente, circunstâncias e
particularidades de cada criança. O que dá certo em uma família pode dar
completamente errado em outra e não faça com seu filho porque sua amiga, sua
irmã ou outra pessoa faz, ainda que a troca de experiências seja algo interessante.
No Brasil tem crescido o número de
casais que optam pela cama compartilhada por uma série de fatores. O termo
comum é dormir com os filhos, todo mundo junto como ninho de gatos. Agora,
entenda bem. Cama compartilhada é diferente de cama dividida. Os defensores do
movimento dentre outras coisas afirmam que uma coisa é compartilhar outra coisa
é dividir. Muitos casais dividem a cama com o filho, o que de fato pode ser
prejudicial e se encaixar nas nove críticas acima, mas CC (cama compartilhada)
requer critérios bem definidos e uma filosofia de opção muito bem trabalhada
internamente entre o casal. Quando a cama é simplesmente dividida, não há
critérios e problemas são imediatos entre o casal e para a criança. O marido , por
exemplo, sofre que nem doente na fila do
SUS aguardando atendimento da esposa.
Cada caso é um caso e não está errado quem opta pela C.C e não está
errado quem não a faz. Cada família tem suas peculiaridades e como disse o que
pode dar certo aqui, ali pode ser uma lástima.
Eu sempre fui defensor da teoria de
cada um em seu lugar, disciplina acima de tudo e privacidade acima de qualquer
coisa entre o casal e os filhos. Esse
negócio de ter criança dormindo com os pais só acabaria com a vida conjugal e
geraria uma criança mimada e insegura no futuro. Acredito que até você que lê
isso agora concorda com essa lógica. A pergunta é: Quem nos ensinou essa lógica? Ela de fato corresponde
ao que é verdadeiro ou é sofisma de uma
mudança de paradigma? Todo raciocínio
que cria uma opção de direção-escolha beneficia alguns e rotulam outros.
Separei uma afirmação muito
interessante: “Somente nos últimos 150
anos, com o surgimento de casas com vários compartimentos, que começou a se
separar os bebês e colocá-los para dormir longe dos seus pais. Durante centenas
de anos, as mamães amamentavam seus bebês durante a noite quase sem despertar.
Os bebês recebiam proteção, afirmação emocional, lições de como respirar, calor
e leite materno.” Claro que existem varias nuances desse aspecto, mas
ultimamente nós seres humanos somos os únicos animais (até onde sei) onde os
filhotes cada vez mais cedo estão dormindo longe dos pais por motivos
estranhamente “humanos”. O que ressoa estranho por sempre tomarmos decisões
mais “humanas” em vários aspectos da vida. Muitos pais são receosos em
assumirem alguns comportamentos familiares e dormir com o filho é um tabu que percebo,
pois ao perguntar, alguns pais falam baixinho que sim e outros falam
orgulhosamente que não. Por que isso? Nossa sociedade ocidental e pós- moderna o
prazer e a satisfação individual é o
parâmetro e dormir com o filho pode ser sinal de fraqueza e incapacidade na
criação. Muitas vezes uma influência errada é justificada com teorias que
afirmam ser melhor pra todos na família.
Primeiro, para entender as opiniões contrárias
à cama compartilhada, devemos entender o que é a CC. Observe um detalhe. Por
que os pais lutam para não dormir com o filho desde quando chega a casa após o parto? A luta é instantânea por quê? Simplesmente
por que esse ciclo do bebê ficar perto da mãe é NATURAL dos seres humanos. Característica
essa que é cortada pelos próprios pais no intuito de seguir um pacote de
teorias geradas via de regra por profissionais ocidentais e pós-modernos. Logo,
a CC não é uma invenção, mas algo natural adaptado à nossa realidade sem perder
valores e fundamentos importantes à vida familiar. Se é algo natural porque
tanta disposição contrária à prática?
Segundo, você já viu em alguma loja de material
infantil ou Sites de internet propaganda de material a ser vendido para cama compartilhada?
Claro que não. Por quê? A resposta é clara: Não é comercial. Nós acidentais
somos impulsionados ao consumo e a disputar qual quarto será o mais bonito, o
mais aconchegante, pronto para receber o bebê. A cena é aquela que mãe anterior
diz à mãe atual: “Gente! Eu deveria ter
feito isso no quarto de Amadeu, esse quarto está lindo! Onde você comprou esses
quadros? Ele dorme aqui noite toda? Fulano (o pai) deveria ter pensado nisso!”.
Quando se originou o pensamento da
separação entre pais e filho? “A
primeira vez que esse tipo de recomendação apareceu em um livro foi em 1901,
num guia leigo para pais escrito por um homem solteiro com nome de mulher (The
Baby, Marianna Wheeler, Harper Bros, London) Depois desse guia houveram outros
vários recomendando a resolver problemas de sono dos bebês, deixando-os
sozinhos e chorando até cansar.” O critério é mais sociológico e cultural do
que biológico. A CC é e sempre foi algo simples e natural em várias sociedades
e culturas, em todas as eras devido aos seguintes aspectos:
1- Proteção
e Monitoramento
2- Fácil
acesso a alimentação
3- Choro
controlado e consolo natural
4- Os pais
conseguirem dormir mais e melhor: Menos intervenções no berço.
5- Socorro
imediato
6- Mais
tempo do pai com filho e a mãe
7- Vínculo
paternal desenvolvido na participação
8- Senso
de segurança e afeto desenvolvido no bebê
9- Sincronia
entre mãe e bebê: Respiração
Quanto à intimidade dos pais e a
questão sexual que imagino ser um dos principais motivos da cruzada contra a
cama compartilhada, vejo que se o casal chegou à conclusão que os benefícios da
cama compartilhada são superiores a utilização do quarto para relações sexuais,
logo outros cômodos da casa serão destinados a este fim e essa adequação é
interessante, pois foge a rotina, o que reacende a intimidade e a “aventura”
sexual do casal. Mas deve haver consenso. E outra coisa, intimidade não está ligada
a um lugar, mas no coração do casal, no exercício da cumplicidade.
A CC não se opõe a “Ensinar desde cedo
o que é certo: cada um no seu lugar”. Na verdade esse é o ensino da CC. O que
se propõe são os ganhos do que deveria ser natural no acompanhamento e
dedicação ao filho, procurando meios que não seja prejudicial ao casal. As
mudanças de ambiente são feitas no momento certo e com critérios bem
definidos. Fato é que os critérios para a não adoção à CC
são em sua maioria critérios não científicos
e não biológicos, mas uma antologia humanista (sociais, morais, econômicos e
culturais). A velha ideia do bebê bom que dorme a noite toda sozinho versus o
bebê dependente que acorda a cada duas horas. Por que há um desejo pela
independência cada vez mais cedo dos filhos? Muitos de nós temos filhos como
cumprimento de uma ordem social. O Filho é encarado como obstáculo à satisfação
e ao amor romântico e conduzido ao status de objeto de consumo. Embora não
admitamos isso, mas as motivações mesmo que veladas descrevem claramente que o
filho bom é o filho que dá mais “liberdade” ao casal. O filho como objeto de
consumo é aquele que deve cada vez mais cedo ser independente. Independente
para o bem de quem? O que é mais natural do que o bebê ser dependente da mãe e
do pai? Eu descobri isso quando queria impor ao Cesar uma independência que na
verdade era a minha independência. Essa motivação não me engana mais. O que
seria mais natural do que o filho dar os braços ao pai ou mãe, mesmo que seja
chamando para ir pra cama os dois? O
nome disso pra mim é filosofia de ministério familiar.
Esse foi o meu caso. Cada caso é um
caso.
Notas e informações :
Site cama compartilhada : http://camacompartilhada.multiply.com/
Estadão : http://www.estadao.com.br/noticias
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