O Jardim e os Sentimentos Mt 5:3-4
Tenho um pequeno jardim. São plantas simples de manuseio e limpeza. Dá um toque especial na casa, por causa da naturalidade . Já fazia um bom tempo de instalado e nunca experimentei limpar, esperando o rapaz da manutenção. Ele não veio e senti a obrigação de limpar o jardim. Não era grande, apenas uma linha de 5 metros. Primeiro comecei molhando o jardim e à medida que regava, percebi que já tinha um número elevado de plantas que nasceram naturalmente sem semente. Comecei retirando essas plantas e ao inclinar, minhas costas doeram muito por ficar naquela posição. Parecia que, quanto mais eu arrancava essas ervas daninhas, mas tinha para arrancar. Eu passava ali durante a semana e via que tinha crescido uma ou outra, mas somente quando eu parei e comecei a limpar é que vi como eram numerosas. Foi muito difícil fazer um trabalho que era para ser simples se fosse feito no início. Foi difícil porque eu não estava disposto a fazer aquilo, pois demandava tempo e eu poderia pagar para alguém fazer. Eu não poderia perder tempo fazendo algo que alguém faria por mim. Mas eu fiz e fazer aquilo foi chato admito, pois tinha muita coisa para me preocupar. Mas, contudo eu me dispus a fazer a limpeza. Enquanto eu limpava e retirava as daninhas, meus sentimentos me revelaram algo estranho:Primeiro- Não quis submeter-me ao ato chato da limpeza. O sentimento era de pagar a alguém e não mexer com o problema. Isso me deixou com uma indisposição muito grande. Quando podemos transferir nossos problemas para outra pessoa é muito melhor. Resolvi fazer a limpeza do jardim sozinho. Enquanto arrancava as ervas daninhas, sentia que na minha vida de discípulo de Cristo era necessário fazer o mesmo em meu homem interior. Todos os dias. Retirar diariamente coisas do meu coração que lentamente tomam espaço e sem menos perceber, ficam maiores que a Semente Divina que foi plantada em mim. As ervas simplesmente crescem sem que seja semeado, ou seja, nossa maldade é oriunda do nosso próprio coração e não precisa que ninguém semeie para que ela brote. Isso é natural como a erva que nasce onde não foi plantada. O Senhor Jesus nos diz que do nosso coração brotam Assassinatos, adultérios, porfias, loucuras etc. A culpa não é de terceiros, como satanás ou o mundo, mas é absolutamente nossa: Naturalmente.
Segundo, não percebemos o quanto estamos afundados em ruína enquanto o Espírito não revelar-nos. Só Reparei quando comecei a fazer a limpeza. O jardim estava tomado de ervas daninhas. Saber que terei que fazer isso a vida toda é um desafio muito grande, tão a ponto de causar desespero. Entretanto, vejo no Evangelho da Graça a esperança daquilo que o Senhor Jesus diz em Mateus no Sermão no Monte capítulo 5:3-4: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. Hu
mildes no original quer dizer pobre, aquele que sabe que seu poder não vale nada. Considera-se um pobre necessitado absolutamente, levando-o a expressar dependência de Deus e a entender o favor imerecido concedido em Cristo. Como afirmou Davi que era pobre, embora possuísse todos os bens materiais possíveis. Essa pobreza se manifestou em mim de maneira consoladora, pois não posso nem tenho o poder para mudar aquilo que gostaria, mas meu anseio é limpar meu jardim espiritual todos os dias. As vezes deixarei nascer ervas, mas na minha pobreza irei limpá-lo. Saber que sempre terei que limpar esse jardim é algo que já me causou muitas lágrimas. Porém, em Seu Sermão no Monte, Cristo nos convida a assumir nosso choro. Chorar é uma demonstração de fraqueza humana perante a Dor seja ela qual for. O choro é a uma reação biológica e psicológica a um estímulo desagradável. Porém Cristo nos convida a chorar, visto que os “pobres” de espírito sabem que são pobres e “choram por seus próprios pecados”, conforme afirma J. Stott. Cristo nos convida a chorar pelos nossos erros. Nós não seremos consolados enquanto por nosso próprio mérito colhermos o fruto das nossas escolhas mortais. A bíblia fala que aquilo que o homem semear, isso ceifará. Porém o convite de Cristo é um convite ao choro pela própria incapacidade em Amá-lo. Muito tempo chorei pela incapacidade em amá-lo, depois descobri que era a única forma de amá-lo de verdade, pois assim se consiste o amor: Na sinceridade de não conseguir ser aquilo que mais deseja e lançar-se nos braços da Graça. Fui de fato consolado por Deus ao me considerar pobre de espírito e a chorar pelos meus próprios pecados e limitações. Hoje, o jardim está sujo novamente. Irei começar tudo outra vez. Sei que encontrarei ervas mais profundas e difíceis de serem arrancadas. Assim são os sentimentos e disposições reprováveis em nosso coração. Embora muitas vezes estejamos num momento de lucidez, sempre haverá espaço para uma insanidade mais escondida que tem sua raiz impossibilitada de ser extraída. Nesse caso, descubro uma realidade como o espinho no jardim de Paulo. Que Jesus disse: “A minha Graça te basta”. Que Graça é esta ? Dentre outras definições, é também a manifestação da mesma em fazer brotar em nós a ‘’pobreza” de espírito e o chorar, conforme o Sermão do Monte que nos chama de felizes, pois feliz será quem fizer tais coisas, a saber, ter essas disposições mentais aprovadas pelo Senhor Jesus Cristo. Assim é nossa santificação : Passos curtos, lenta, às vezes imperceptível. Terceiro - Uma forma de sermos felizes é sendo infelizes conforme Cristo. Não falo da infelicidade que se convenciona em sua definição atual e pós-moderna. A infelicidade é aquela que Jesus diz no sermão do monte: Feliz os infelizes, por causa da sua humildade de espírito e de suas lágrimas de hoje, pois amanhã que serão enxugadas. Que infelicidade é essa que nos habilita a receber a verdadeira e vindoura felicidade cabal? É a infelicidade em descobrir-se humano caído e reconhecer isso diante de Deus e diante dos homens. “Do primeiro, como a fonte de Graça que nos redime e reabilita a um relacionamento com Ele. Do segundo, como exercício de misericórdia e perdão sabendo que todos somos falíveis, enriquecendo em nós a arte de perdoar, pois fomos perdoados.” Essa arte de perdoar é a arte de considerar-se um pobre, pois se assim o faço por que julgarei meu irmão? Antes chorarei com ele e saberei o que é ser humano. “Por isso, os infelizes misericordiosos embora vivam num mundo sem misericórdia, alcançam misericórdia perene de Deus (J. Sttot)”.
A pergunta chave é: Quem está sendo motivado hoje a exercer essa característica de pobreza de espírito e choro pela própria incapacidade? Em Seu sermão do Monte, Jesus em Mateus 6:32 diz que não devemos copiar os gentios em
seus sentimentos e hoje muitos cristãos são ensinados a serem vencedores no molde pós-moderno, num cristianismo pós-moderno, numa igreja desesperadamente motivadora ao triunfalismo metafísico. Por Enquanto, vou limpar meu jardim, pois é chegada a hora .
seus sentimentos e hoje muitos cristãos são ensinados a serem vencedores no molde pós-moderno, num cristianismo pós-moderno, numa igreja desesperadamente motivadora ao triunfalismo metafísico. Por Enquanto, vou limpar meu jardim, pois é chegada a hora .
Comentários