Um Dia dos Pais e todos os Dias dos Filhos.

Estou sem escrever nesse blog há quatro meses basicamente por falta de tempo. O tempo livre, estou dando atenção constante ao César. Ele dorme comigo e as noites são difíceis, pois ele acorda muito durante a noite e desperta cedo para EU preparar sua mamadeira. Tenho dormido poucas horas com várias interrupções e nesses intervalos de sono, levantar quase 17 quilos, carregar da cozinha para o quarto e depois o sono voltar é uma tarefa quase impossível. Como Hoje é Dia dos Pais, separei duas frases de uma matéria da Revista Veja sobre a nova modalidade de Pais que estão surgindo. “Na vida de um homem não há acontecimento mais importante nem perda mais dolorosa do que a morte do pai.” Sigmund Freud (1856-1939). E segundo e não menos importante, “Todos os homens querem a morte do pai” Fiodor Dostoievski (1821-1881) (citação do seu romance Os Irmãos Karamazov).
O grande desafio do ser é fazer o improvável. Eu já disse isso aqui antes, mas no caso da paternidade afirmo que interromper a história da Paternita-hereditarius-insania na nossa vida é uma escolha dura e um caminho no escuro. O óbvio grita em nós: A nossa intolerância, a vontade de bater, pois muitas vezes fomos tratados desta forma, faz com que a nossa reação seja óbvia. Trilhar um caminho da lapidação do amor aos nossos filhos é primeiramente escolher rejeitar nossa própria vontade. Os pais que não entendem isso, não entendem os filhos que têm e não são entendidos por eles. Não vou postular aqui a forma como se deve criar os filhos, pois eu nem sei criar os meus. Primeiro, por que não há um manual que molde perfeitamente a natureza humana às suas recomendações e tarefas, até a bíblia embora seja também um “manual”, não é um amuleto ou mantra e outra, nessa tara por manuais e livrinhos, até o Pato Donald rasgou o manual e bateu em huguinho, Zezinho e Luizinho. Então esqueçam manuais e se forem recorrer à bíblia, a receita do amar o próximo como a ti mesmo e a Deus sobre Todas as coisas é o suficiente para saber trilhar o caminho correto.
Mas se os pais desejarem recorrer aos manuais, tudo bem, mas façam como as mães Kelma e Mirna, tenham o manual, pois é melhor do que a opinião alheia de como criar seu filho. Por que essa parte da opinião alheia é um chamado à santificação e a renúncia, pois nos dá a vontade de dizer: Morra! Mas somos cristãos e como tais, temos que dizer: Obrigado pela sua dica! Eu vou procurar melhorar isso, eu não vou dar refrigerante, eu vou bater nele! Acreditem, já ouvi conselhos para bater no César para ele parar de fazer certas coisas. Eu até estou pensando nisso, mas daí me aconselhar logo de primeira a bater ? ! Nem mandam a gente conversar, manda é bater logo, pois afirmam que a traquinagem é vagabundagem infantil. O infrator tem dois anos e nove meses. Já ouvi conselhos tipo: Ah, se fosse comigo! Essa criança não faria isso ou aquilo, mas geralmente essas afirmações são de quem não teve filho ainda, aí eu digo: Perdoa-lhes, pois não sabem o que dizem! Perdoa-lhes Senhooor, e dai a este (a) um filho. Todos nós somos assim, a nossa percepção é pífia quando não passamos pela experiência da vida.
Ser pai é um chamado a observação, a paciência, a repetição. Quem já não assistiu Pingüins de Madagascar, galinha pintadinha 1, 2,3...10... Patati e Patatá várias vezes a ponto de saber diálogos , músicas , erros de clipes infantis? A verdade está aonde queremos estar como pais. Queremos a definição de Freud ou a de Dostoievski ? Ser considerado digno de referencia requer que nossa habilidade em observar, meditar, comece já nos desenhos animados. Neste ato, começa a ser formado em mim um pai que observa e se importa com seu filho. Quem quiser ser considerado relevante para o se filho , deve amar sem esperar o retorno no futuro. Eu estava num parque com César, é claro , e outro pai também evangélico , me disse : “Luiz , será que esses nossos filhos vão reconhecer aquilo que fazemos por eles ? porque nós não tivemos o que eles têm hoje, eu fico pensando nisso , a gente faz, faz e lá na frente o filho ainda age de forma ingrata muitas vezes...” Eu nem pude responder por que o Cesar queria se jogar da cama elástica numa velocidade 5 , mas depois que me acalmei, fiquei pensando como nosso suposto amor forja nosso egoísmo e presunção. Se você simplesmente amar seu filho, você será amado por ele , pois o amor é algo que brota instintivamente onde há harmonia. Na verdade a pergunta dele reflete todos os seus traumas e feridas oriundas de suas experiências familiares e existenciais do ser. Ele nunca se afirmou como homem e agora como pai temia o retorno negativo do amor , como se o houvesse.




Ser referência para o filho é ser filho de Deus primeiramente. Nossa trajetória de filhos de Adão não pode continuar na formação da paternidade em nós . Eu particularmente tenho o vírus da Paternita-hereditarius-insania também , mas tento grosseiramente, olhar para Cesar da mesma forma que Deus olha para mim. Na verdade esse papel de pai , o Cesar tem sido mais meu pai do que eu pai dele . Por que, todo abismo de experiências saudáveis de paternidade que consta em mim, foi preenchido com o amor natural dele. Ele embora não fale uma palavra ainda para me aconselhar, já me ensina a reescrever a história com meu próprio pai e com o Supremo Pai. Ele sem falar , cheio de vontades , erros e digno de palmadas e puxões de orelha, tem me ensinado a buscar a Deus mesmo quando eu sou digno não de palmadas apenas , mas de toda reprovação divina. O ato de viver sem graça na igreja por estar sempre cansado , tem me ensinado a saborear a graça De Deus.
Agora tenho que terminar esse texto por que são 02h00min e o ar condicionado do quarto está muito frio e o Cesar já vai acordar e vai correndo para cozinha pegar o copo dele para eu encher de leite; É... Eu sei , tem que tirar esse leite da madrugada não é? Obrigado pela dica, eu vou bater nele, esse menino... Um MOMENTO : “ MENINO...!!! Eu vou te quebrar na havaiana-de-pau ! ...kelma....eu não agüento mais ! Cesar você vai dormir com O Lobo ! Aliás lobo não merece sua chatice .. Cala a boca Cesar, pára de chorar , eu vou pegar o leite... sai daí Cesar , Desce..."













Comentários

Golfinho disse…
Fico pensando...Não tenho filho. Mas realmente, é tão dificil ouvir conselhos de quem não tem conhecimento de causa. E sobre o se debruçar na própria relação pai e filho, fico me perguntando se todos não deveriam experiemnatr a deliciosa e rica experiencia de ser pai para perdoar e entender as feridas do passado. Excelente textoe muito edificante. Viva Cesar...viva!!!!
Mário disse…
Olá Luiz,

Gratos pela visita ao nosso blog e pela preciosa correcção que fez.

Abraço amigo,

Mário

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